Cartão de crédito aprovado sem anuidade pode ter cobrança depois?

Cartões anunciados como gratuitos podem gerar custos em situações específicas, como mudança de categoria, serviços opcionais, atraso ou parcelamento da fatura.

Publicado em 26/05/2026 por Rodrigo Duarte.

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Os cartões de crédito sem anuidade se tornaram muito populares no Brasil, principalmente com o crescimento dos bancos digitais, fintechs e varejistas que usam o cartão como forma de fidelizar clientes. Nubank, C6 Bank, Inter, Magalu, Renner, Santander, Itaú e outras instituições oferecem ou já ofereceram produtos com isenção de anuidade, seja de forma permanente, promocional ou condicionada a determinados requisitos.

Cartão de crédito aprovado sem anuidade pode ter cobrança depois?
Créditos: Divulgação

A promessa de “sem anuidade” costuma chamar atenção porque elimina um custo tradicional dos cartões bancários. Para muitos consumidores, especialmente quem usa pouco o cartão ou está tentando organizar a vida financeira, não pagar uma tarifa anual parece uma vantagem importante.

No entanto, é preciso entender exatamente o que está sendo oferecido. Um cartão aprovado sem anuidade não significa ausência total de custos em qualquer situação. Ele pode continuar gratuito em relação à tarifa anual, mas gerar cobranças por juros, parcelamentos, seguros, serviços adicionais, saques, segunda via, cartões extras ou até mudança de categoria.

Sem anuidade não significa sem qualquer tarifa

A anuidade é apenas uma das possíveis cobranças relacionadas a um cartão de crédito. Ela funciona como uma tarifa cobrada pelo uso e manutenção do cartão, podendo ser paga de uma vez ou parcelada mensalmente, conforme a política da instituição. O Santander explica que a cobrança pode ocorrer em pagamento único anual ou em parcelas mensais, e que as condições devem constar no contrato de adesão do cartão.

Quando um cartão é anunciado como sem anuidade, a instituição está informando que essa tarifa específica não será cobrada dentro das regras do produto. Isso não impede a existência de outros custos, principalmente se o cliente usar serviços financeiros adicionais.

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No Nubank, por exemplo, o cartão de crédito tradicional é divulgado como completo e sem anuidade, mas a própria página do produto apresenta recursos pagos ou sujeitos a encargos, como parcelamento de boletos e outras formas de pagamento usando o limite do cartão.

Essa diferença é fundamental. O cartão pode ser sem anuidade e, ainda assim, gerar juros se o cliente atrasar a fatura, pagar apenas o mínimo, parcelar a fatura ou contratar funcionalidades extras.

Mudança de contrato ou categoria pode alterar custos

Alguns cartões são sem anuidade por natureza. Outros têm isenção condicionada a gasto mínimo, investimentos, pacote de conta ou campanha promocional. Nesse segundo caso, o cliente precisa acompanhar as regras para não ser surpreendido.

O Santander informa, por exemplo, que determinados cartões premium podem ter anuidade zerada mediante volume de gastos mensais ou investimentos, o que transforma a gratuidade em uma condição, não necessariamente em uma característica permanente do produto.

Também existem cartões de entrada sem anuidade e versões superiores com cobrança. O C6 Bank divulga o C6 Platinum como cartão de crédito e débito sem anuidade, mas o C6 Carbon Mastercard Black possui valor de anuidade, com possibilidade de isenção em determinadas condições de gasto ou relacionamento.

Isso significa que um upgrade de categoria pode trazer benefícios melhores, como sala VIP, pontuação, cashback ou seguros, mas também pode incluir cobrança de mensalidade ou anuidade. Antes de aceitar um upgrade no aplicativo ou por telefone, o consumidor precisa conferir se a nova categoria continuará gratuita.

Cartão adicional pode ter regra própria

Outro ponto que costuma passar despercebido envolve cartões adicionais. Muitas pessoas solicitam um cartão extra para filhos, cônjuges ou familiares acreditando que ele terá exatamente as mesmas condições do titular.

Em alguns bancos, o adicional é gratuito. Em outros, pode haver cobrança específica, inclusive quando o cartão principal possui anuidade diferenciada ou benefícios premium. O próprio Nubank explica, em conteúdo educativo, que alguns cartões adicionais podem ter anuidade extra e que o titular deve verificar essa informação com a instituição antes de solicitar.

Atenção maior deve ser dada aos cartões de bancos tradicionais e varejistas. Produtos associados a lojas, como Magalu ou Renner, podem ter condições diferentes dependendo da bandeira, da modalidade, do uso fora da loja e dos serviços contratados. O cliente deve conferir se a gratuidade vale apenas para o cartão principal ou também para adicionais.

Benefícios extras podem virar serviços pagos

Cartões sem anuidade também podem oferecer seguros, assistências, programas de pontos, aceleradores, proteção de compra, saque emergencial, crédito para pagamento de contas e outros serviços opcionais. Alguns são gratuitos. Outros podem ser contratados à parte.

O C6 Bank, por exemplo, informa que o C6 Platinum é sem anuidade e acumula pontos Átomos, mas também menciona a possibilidade de contratar plano acelerador exclusivo. Esse tipo de recurso pode ser útil para quem realmente aproveita a pontuação, mas deve ser analisado como custo adicional.

A mesma lógica vale para seguros oferecidos em cartões de bancos e varejistas. Proteção contra perda e roubo, seguro de fatura, assistências e serviços semelhantes podem aparecer no aplicativo, no atendimento ou durante a contratação. Se forem opcionais, o cliente deve avaliar se realmente precisa deles antes de aceitar.

O risco é confundir benefício do cartão com produto contratado separadamente. Quando isso acontece, o consumidor pode achar que o cartão gratuito passou a cobrar anuidade, quando na verdade está pagando por serviço adicional.

Parcelamento da fatura e atraso geram custos altos

Mesmo em cartões sem anuidade, o maior custo costuma aparecer quando a fatura não é paga integralmente. Crédito rotativo, parcelamento da fatura, atraso, multa e juros podem transformar uma compra pequena em dívida maior ao longo do tempo.

O Nubank divulga em sua página de contratos faixas de juros para crédito rotativo, parcelamento da fatura, atraso e saque com cartão de crédito. Isso mostra que a ausência de anuidade não elimina encargos financeiros quando o cliente usa o crédito fora do pagamento integral da fatura.

Esse cuidado vale para qualquer emissor, seja Nubank, Itaú, Santander, C6 Bank, Magalu, Renner ou outro cartão. O cartão pode não cobrar tarifa anual, mas o uso inadequado do crédito continua tendo custo.

Por isso, um cartão sem anuidade só é realmente vantajoso quando o consumidor consegue pagar a fatura total dentro do vencimento. Caso contrário, os juros podem superar facilmente qualquer economia obtida com a gratuidade.

Cartões de varejo exigem atenção às condições

Cartões de lojas costumam ser oferecidos como alternativa para parcelar compras, obter descontos, cashback ou benefícios dentro do próprio varejista. Magalu, Renner e outras redes utilizam esse modelo para aumentar recorrência de compra e fidelização.

Esses cartões podem ser interessantes para quem já compra com frequência na loja e consegue pagar a fatura em dia. Porém, o consumidor precisa observar se o cartão é realmente sem anuidade, se possui cobrança em determinadas versões, se há seguros embutidos, se o uso fora da loja gera condições diferentes e como funciona o parcelamento.

Outro cuidado envolve promoções vinculadas ao cartão. Descontos exclusivos podem fazer sentido em compras planejadas, mas deixam de ser vantagem quando estimulam consumo desnecessário. Um cartão sem anuidade pode sair caro se a pessoa começa a comprar apenas para aproveitar ofertas.

Como evitar cobranças inesperadas

A melhor forma de evitar surpresa é conferir o contrato, a tabela de tarifas e as comunicações enviadas pelo banco. O Itaú mantém uma área específica para contratos e regulamentos de cartões, enquanto o Santander informa que valores de tarifas podem ser alterados mediante comunicação prévia pelos canais previstos.

Também é importante acompanhar a fatura todos os meses. Cobranças de seguro, parcelamento, saque, juros, anuidade proporcional, tarifa de segunda via ou serviço opcional costumam aparecer detalhadas. Se o consumidor não reconhece algum lançamento, deve entrar em contato pelos canais oficiais e solicitar esclarecimento.

Outro cuidado é não aceitar upgrades, cartões adicionais ou benefícios por telefone sem confirmar as condições no aplicativo ou no contrato. Muitas cobranças começam depois de uma adesão aparentemente simples.

Cartão gratuito pode continuar sendo vantajoso

Um cartão aprovado sem anuidade pode ser uma boa escolha, principalmente para quem busca praticidade e não quer pagar tarifa apenas para ter crédito disponível. Nubank, C6 Bank, Itaú, Santander e cartões de varejistas podem atender bem diferentes perfis, desde que o consumidor entenda as regras do produto.

O ponto central é lembrar que “sem anuidade” não significa “sem custo em qualquer situação”. A gratuidade vale para uma tarifa específica. Juros, serviços opcionais, seguros, parcelamentos, saques e mudanças de categoria continuam podendo gerar cobrança.

Antes de solicitar ou aceitar qualquer mudança no cartão, vale conferir se a anuidade é gratuita para sempre, promocional ou condicionada a gasto mínimo. Essa verificação simples evita que um cartão escolhido pela economia acabe trazendo despesas inesperadas no futuro.

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ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.
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