Seguro auto cobre carro alagado? Quando enchente entra na cobertura e quando a indenização pode ser
Alagamentos podem fazer parte da proteção do veículo, mas é preciso conferir a apólice e evitar atitudes que aumentem deliberadamente o risco
Uma chuva forte transforma uma avenida em um rio em poucos minutos e a água atinge um carro estacionado. Em outra situação, o motorista encontra uma via completamente alagada, decide atravessar mesmo assim e o motor para no meio do caminho. Os dois veículos podem terminar com danos semelhantes, mas a análise do seguro não necessariamente será igual.

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Proteja sua exportação agora! Proteja-se! Contrate o seguro de viagem Proteja-se com Bradesco SegurosO seguro auto pode oferecer proteção para prejuízos provocados por enchentes, inundações e alagamentos. A existência dessa cobertura, porém, depende das condições efetivamente contratadas. Não é correto partir do princípio de que qualquer seguro de automóvel obrigatoriamente cobre esse tipo de evento.
Além disso, mesmo quando o risco está previsto, a forma como o dano aconteceu pode entrar na análise do sinistro. A legislação atual determina que o segurado não deve agravar intencionalmente e de forma relevante o risco protegido pelo contrato.
Cobertura compreensiva pode incluir alagamentos
Os seguros de automóveis podem combinar diferentes tipos de proteção.
Uma cobertura mais ampla, muitas vezes chamada de compreensiva, costuma reunir riscos como colisão, roubo ou furto e incêndio. Dependendo do produto, também podem estar incluídos eventos da natureza, entre eles enchentes, inundações, alagamentos, granizo e queda de objetos.
É a apólice que determina exatamente o que foi contratado.
Por isso, possuir “seguro do carro” não é informação suficiente para afirmar que um veículo atingido pela água será indenizado. Existem produtos mais limitados, como seguros focados somente em roubo e furto ou em determinadas situações de colisão.
Antes da temporada de chuvas, vale conferir as coberturas contratadas e procurar expressões relacionadas a enchente, inundação, alagamento, submersão ou eventos da natureza.
Carro parado também pode estar protegido
Não é necessário que o veículo esteja circulando para sofrer um sinistro provocado pela água.
Um automóvel estacionado na rua pode ser atingido pela elevação repentina do nível de uma enchente. O mesmo pode acontecer em uma garagem localizada no subsolo de um edifício.
Existem condições de seguro auto comercializadas atualmente que incluem expressamente a submersão parcial ou total do veículo em água doce proveniente de enchentes ou inundações, inclusive quando ele está guardado em subsolo.
Nesse tipo de situação, o proprietário muitas vezes sequer teve oportunidade de retirar o veículo do local antes que a água subisse.
Se o evento estiver dentro das coberturas contratadas, o segurado deve comunicar o sinistro e seguir as orientações da seguradora.
Tentar atravessar uma enchente muda a situação?
Pode mudar, mas não existe uma regra automática segundo a qual “entrou na água dirigindo, perdeu o seguro”.
A legislação de seguros atualmente determina que o segurado pode perder a garantia se agravar intencionalmente e de forma relevante o risco. Para que uma seguradora recuse a indenização com base nesse agravamento após um sinistro, precisa existir relação entre a conduta relevante e o evento que gerou o prejuízo.
Isso torna o caso concreto importante.
Um motorista surpreendido por uma enxurrada enquanto trafegava normalmente está em situação diferente daquele que encontra uma rua claramente tomada pela água, ignora uma barreira ou um risco evidente e deliberadamente tenta atravessá-la.
Não cabe, portanto, presumir que qualquer passagem por uma área alagada gera automaticamente perda de cobertura. Da mesma forma, não é prudente imaginar que possuir seguro autoriza assumir um risco evitável.
Além do problema contratual, atravessar água em movimento pode colocar ocupantes do veículo e outras pessoas em perigo.
Se a água entrar no motor, evite tentar ligar novamente
Depois que um veículo é atingido por uma enchente, a tentativa de fazê-lo funcionar pode aumentar os danos mecânicos.
Quando existe suspeita de entrada de água no motor ou nos componentes elétricos, a opção mais segura costuma ser acionar a assistência prevista no seguro e solicitar orientação antes de tentar dar partida.
A legislação também estabelece deveres para que o segurado tome providências razoáveis destinadas a evitar ou diminuir os efeitos de um sinistro, desde que isso não coloque pessoas ou interesses relevantes em perigo.
Isso não significa que alguém deva entrar em uma garagem inundada para salvar o carro.
O automóvel pode ser substituído. A integridade física deve vir primeiro.
Depois que a água baixar e for seguro acessar o local, a seguradora poderá orientar sobre remoção, vistoria e avaliação dos danos.
Alagamento pode provocar perda total?
Pode.
A água pode atingir motor, módulos eletrônicos, acabamento interno, componentes de segurança e outras partes caras do veículo. Dependendo da extensão do dano e dos critérios previstos na apólice, o sinistro pode resultar em indenização integral.
Em outros casos, o veículo poderá ser reparado.
Quando existe indenização parcial, pode haver aplicação da franquia estabelecida no contrato. A forma de cálculo, o valor da participação do segurado e as condições para caracterização da indenização integral precisam ser verificadas na apólice.
Por isso, não é possível concluir que todo carro submerso será considerado perda total.
Dois modelos atingidos pela mesma enchente podem ter resultados diferentes conforme valor do veículo, profundidade da água, componentes afetados e custo dos reparos.
Guincho não significa necessariamente cobertura do prejuízo
Outro ponto que pode gerar confusão é a assistência 24 horas.
Uma apólice pode oferecer serviço de guincho e outros recursos de assistência, mas isso não significa automaticamente que todos os danos que levaram à necessidade do reboque estejam cobertos.
O serviço de assistência e a cobertura do casco são partes diferentes da contratação.
Assim, o consumidor pode ter direito ao guincho em determinada situação e ainda precisar verificar se os prejuízos provocados pela enchente fazem parte dos riscos segurados.
A apólice continua sendo a referência para entender essas diferenças.
O que fazer quando o carro é atingido pela água
Quando ocorre um alagamento, a prioridade deve ser sair da situação com segurança e não tentar salvar o veículo colocando pessoas em risco.
Depois, o segurado deve avisar a seguradora o mais rapidamente possível e seguir as orientações recebidas. Fotos do local e do estado do veículo podem ajudar a documentar o ocorrido quando puderem ser feitas com segurança.
Também é recomendável não iniciar reparos relevantes por conta própria antes da orientação da companhia, principalmente se o automóvel precisar passar por vistoria.
O seguro auto pode ser uma proteção importante contra o prejuízo provocado por uma enchente, mas existem duas verificações essenciais.
A primeira acontece antes da chuva: conferir se a apólice realmente inclui alagamentos e inundações. A segunda ocorre durante o evento: não transformar uma situação de risco inevitável em um risco assumido deliberadamente.
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